Para Gore (1993), no Ocidente, alguns acusam incorretamente a tradição judaico-cristã de ter permitido que a civilização, em seu avanço implacável, dominasse a natureza, começando pela história da criação, no Gênesis, quando é concedido à humanidade o domínio sobre a Terra. Em sua forma básica, a acusação é a de que nossa tradição atribui propósitos divinos ao exercício de um poder, praticamente absoluto, de impormos nossa vontade à natureza. Alega-se que, ao contemplar os seres humanos com uma relação inigualável com Deus e a eles delegar autoridade divina sobre a natureza, essa tradição considera éticas todas as escolhas que dão, às necessidades e desejos humanos, prioridade maior que ao restante da natureza. Em poucas palavras, desse ponto de vista, é ético garantir que, sempre que constitua um estorvo para conseguir o que desejamos, a natureza saia perdendo. Essa, porém, é uma versão caricatural da tradição judaico-cristã e pouca semelhança tem com a realidade. Os crí...
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